
A primeira coisa a chamar a atenção neste livro da Galera Record é a capa. É bem difícil não prestar atenção em um navio sombrio navegando em um mar de sangue. A segunda é o título, que deixa clara a união, em uma mesma história, de vampirismo e pirataria. Apenas estes dois motivos já são mais que suficientes para fazer querer ler a aventura, e a sinopse é o empurrão definitivo:
O ano é 2505. Os oceanos se avolumaram e uma nova era da pirataria se inicia. Connor e Grace são gêmeos, e ficam órfãos depois da morte repentina do pai viúvo. Assustados, decidem fugir e enfrentar o oceano, mas uma terrível tempestade os separa. Dois misteriosos navios rumam para o resgate – cada um encontra um dos gêmeos antes de desaparecer nas brumas. Connor está em um navio pirata e rapidamente se junta à tripulação, mas Grace vai parar em um navio que só desperta quando escurece. Trancada em uma cabine na qual velas se acendem sozinhas e refeições se materializam do nada, ela não demora a perceber que está no navio dos Vampiratas. Determinados a se encontrar novamente, os gêmeos embarcam na maior aventura de suas vidas…
O começo do livro é um tanto infantil e tem um quê de “Desventuras em Série”, mas assim que os protagonistas embarcam nos navios, passamos a acompanhar dois enredos. O de Connor nos mostra o dia a dia na vida de um pirata, com lições de náutica, armamentos e batalhas emocionantes. O de Grace é cheio de um suspense misturado com romance, a bordo de um navio repleto de vampiros que se alimentam, sim, de sangue humano, mas mantêm uma relação amigável com seus doadores. Pelo menos a maioria deles.
E como se combinar sangue e rum não fosse uma ideia boa o suficiente, Somper, em sua narrativa hipnótica, fez isso em um futuro pós-derretimento das geleiras. O planeta inundado é a desculpa perfeita para que o retorno dos corsários à ativa e o futuro torna tudo mais atraente. A habilidade com que ele costura este universo é incrível. Um navio pirata ancorado enquanto sua tripulação se diverte dançando e bebendo em uma taverna sinalizada com luz neon torna-se uma imagem perfeitamente plausível. O futurismo também permite ótimas referências à cultura pop, como “bem-vindo ao lado negro”. E, é claro, a forte presença de seres imortais faz com que todas as épocas possam ser mencionadas.
Cada personagem, vivo ou não, tem vida própria, personalidade forte e um papel a desenrolar na história – todos com alguma importância. Ninguém está lá à toa e todos os atos têm suas conseqüências.
Tanto para os fãs de terror quanto para os de aventura, “Demônios do Oceano” é uma leitura imperdível. E o primeiro volume da série “Vampiratas” consegue algo que poucos livros fazem bem, que é concluir a história com um ótimo e surpreendente final ao mesmo tempo em que deixa aberto um gancho para a continuação.
Ficou com vontade de ler? Tem promoção vindo aí – e, claro, as resenhas dos outros livros da coleção.
